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segunda-feira, 21 de março de 2016


PESSOAL ESSE VÍDEO TEM APENAS 8 MINUTINHOS, MAS VAI FAZER VOCÊ REFLETIR BASTANTE SOBRE SUA PRÁTICA. 
OS ASSUNTOS SERÃO: 

1. PROVA DE RECUPERAÇÃO; 
2. APROVAÇÃO AUTOMÁTICA; 
3. "CHANCES" DEMASIADAS PARA APROVAÇÃO;


video
CABEÇALHO DE PROVA.

A prova é um instrumento de avaliação muito valorizado pela escola.  É no momento da aplicação da prova que o aluno tem de aproveitar para mostrar todo o seu potencial. Então ele poderá utilizar-se de vários recursos para mostrar que aprendeu. Ele poderá fazer esquemas, desenhar, riscar e até errar tendo oportunidade de reparar seu erro nessas poucas horas das quais tem que mostrar o seu melhor.

1.       Que ele NÃO pode riscar sua prova.
2.       Que ele NÃO pode desenhar na sua prova.
3.       Que ele NÃO pode rasurar sua prova.


Justificativa do iten 1: Que ele NÃO pode riscar sua prova.

A figura abaixo poderia representar um aluno riscando seu texto (sua prova) para compreendê-lo melhor. Se isso para o professor é sublinhar, grifar, esquematizar, para o aluno é riscar mesmo. Então é inconveniente orientá-lo a NÃO riscar SUA prova. A escola que faz esse tipo de exigência está impedindo a prática da AUTOMIA (“será que posso riscar meu texto? Vou perguntar pro professor...”), da INICIATIVA (“...eu poderia marcar as informações principais... Não! O professor pode brigar! É prova...”).



Justificativa do iten 2:  Que ele NÃO pode desenhar na sua prova.

        Numa prova de geografia onde é pedido alguns estados de cada região  — um exemplo —um aluno, poderia sentir a necessidade de desenhar o Brasil, no canto da prova, dividindo-o em suas regiões para visualizar melhor a distribuição dos estados e consequentemente responder com afinco a questão dada.
        Numa prova de Matemática uma questão poderia pedir para que o aluno descobrisse quanto valeria 3/5 de R$100,00. Nesta situação alguns professores poderiam esperar apenas cálculos — o que é possível — mas pode-se esperar também que aluno resolva por meio de representação em desenho — que também chega na resposta exata. Então, se no comando da questão o professor não deixar claro que o aluno poderá desenhar ele não desenhará por que foi orientado (pelo cabeçalho) a NÃO DESENHAR. Parece inocência! Mas o aluno, principalmente os mais certinhos e tímidos pensam assim. Quem já não deixou de dar uma boa resposta numa prova (quando era pequeno) por que a professora deixou poucas linhas para responder e aí você ficou com medo de escrever fora dessas linhas?!
        Exigir que o aluno não desenhe na sua prova é inibi-lo de expor suas idéias a sua maneira e de racionar por meio de representações em desenhos, rabiscos etc. Veja uma ilustração que a princípio parece meros rabiscos, mas que envolve raciocínio e inteligência. A multiplicação foi resolvida usando traços e bolinhas, ao lado o algoritmo com números apenas para comprovar o raciocínio.



Justificativa do iten 3: Que ele NÃO pode rasurar sua prova.

Até nas redações de vestibulares é permitido rasurar:

 “Evite rasuras mas caso aconteça coloque entre parênteses e repita a(s) palavra(s) rasurada(s).” 

FONTE: http://www.infoescola.com/redacao/dicas-para-redacao-no-vestibular/


        Um aluno quando rasura sua prova pode ser porque mudou sua opinião a respeito de uma determinada ideia — isso é inteligência,  é confrontar pensamentos, é raciocinar. Se o professor o inibe a rasurar estará dizendo a ele: — Você sabia, mas já era... não pode mais mudar. Mas o propósito da prova não é identificar o que o aluno sabe? Então, por que ignorar que ele aprendeu? Certa vez uma professora falou: — Puxa! Ele acertou a questão (fez todos os cálculos corretos, mas marcou o gabarito errado. Vou ter que dá errado pra ele...). Percebam que estamos tão engessados a fazer marcações de certo ou errado como uma máquina desgovernada que autodestruímos a possibilidade de aceitar o que procuramos: se o aluno aprendeu ou não.  
        Muitos professores tentam justificar esta conduta fazendo comparações com vestibulares, provas de concurso. Dizem que nessas provas, se o aluno erra o gabarito perde a questão. Mas essa comparação é EQUIVOCADA, imaginem só para essas empresas que promovem essas provas se tiverem que verificar se o aluno errou a questão por que “vacilou” ou por que não sabia mesmo!! Imaginem a trabalheira que seria a correção, pelo número altíssimo de candidatos! Já a escola tem como função primordial verificar a aprendizagem: o aluno aprendeu ou não aprendeu? Ignorar o conhecimento do aluno pela marcação incorreta da alternativa é um erro. Sem levar em conta que esse mesmo professor estará futuramente perdendo seu final de semana, talvez, elaborando prova de recuperação para um aluno que não necessitaria de recuperação.

Pensar no vestibular e em concursos não está errado o que está errado é a escola deixar de realizar a sua função ou modificar sua didática de ensino/verificação da aprendizagem, baseando-se em condutas incoerentes. No caso de uma alternativa marcada incorretamente numa prova por falta de atenção do aluno, mas com desenvolvimento correto da questão; uma postura digna seria o professor considerar totalmente a questão — por que o aluno soube respondê-la (não tem como considerar meio certo em algo que está totalmente certo). O correto seria deixar um lembrete chamando atenção do aluno pela marcação incorreta e que no vestibular a  rasura não seria aceita.

domingo, 13 de março de 2016

AINDA, INFELIZMENTE, SE AVALIA PARA DAR NOTA E PARA APROVAR OU REPROVAR UM ALUNO.

AINDA, INFELIZMENTE, SE AVALIA PARA DAR NOTA E PARA APROVAR OU REPROVAR UM ALUNO.
Esta frase ou outras similares a ela são bastante empregadas por grandes especialistas ou por profissionais da educação preocupados com a avaliação da aprendizagem de nossos estudantes. Focando-se apenas na frase, sem contextualização nenhuma, parece que é proibido dar notas quando se avalia ou proibido não promover (será possível todos alunos de uma escola, sem exceção, serem promovidos no atual sistema em que a escolas estão inseridas?) Se não tivermos que dar notas ou não "reprovar" um aluno para por em prática a avaliação formativa, então porque perder tempo com conscientização sobre o ato de avaliar para as aprendizagens se nosso sistema educacional apóia-se no registro de notas e consequentemente na não promoção do aluno com média inferior? Na verdade a frase acima tem outro significado.
Acredito que, provavelmente, muitos professores estejam resistentes a prática da avaliação formativa, mesmo tendo contato sobre ela, devido a confusões de conceitos originados, talvez, pela falta de esclarecimentos focados na rotina escolar de sala de aula ou por esses esclarecimentos estarem fragmentados e espalhados em pequenos parágrafos, trechos, como a frase acima. É como se para compreender o verdadeiro sentido da avaliação da aprendizagem tivéssemos que, obrigatoriamente, ler uma obra inteira sobre o assunto.
É notório a preocupação das Secretarias de Educação com a qualificação do professor sobre o ato de avaliar. Mas percebo que palestras, seminários e artigos em revistas sobre o assunto não estejam deixando bem claro para o docente leigo o que seria a avaliação formativa meio a realidade escolar em que se vive, com notas, boletins, aprovação, reprovação, recuperação. Pouco se fala da aplicabilidade da avaliação formativa meio toda essa diversidade que nós professores enfrentamos como: salas lotadas, falta de estrutura, desigualdade social, violência, desestrutura familiar etc.
Voltemos ao título acima " AINDA, INFELIZMENTE, SE AVALIA PARA DAR NOTA E PARA APROVAR OU REPROVAR UM ALUNO".
Conheci professores, que diziam impossíveis de praticar a avaliação formativa porque não deixariam de dar notas. Outros diziam que avaliação formativa é uma utopia, pois nunca deixariam de aprovar ou reprovar. Ou então, professores que diziam estar praticando a avaliação formativa porque não estariam avaliando seus alunos por meio da prova. Todas essas afirmações são equívocos.
Indo direto ao ponto digo que precisamos sim dar notas, que precisamos sim classificar (o que não implicar sermos classificatórios) e até não promover um aluno (no sistema atual).
As notas, por exemplo, meio a turmas numerosas que temos, é uma forma do professor ter uma informação rápida a respeito do nível de aprendizagem de seus alunos (e não deixa de ser uma classificação). Até porque não é possível guardar na memória ou em infinitos relatórios, tantas qualificações sobre as aprendizagens dos nossos estudantes de anos finais ou ensino médio.
Então, esclarecendo o que não fica muito claro pelos especialistas (ao meu ver), é que se existem notas ou conceitos, então sempre existirão classificações: alunos que aprenderam muito, alunos que aprenderam pouco, alunos medianos etc. Isso é ruim? De forma alguma. As classificações podem auxiliar o professor nas decisões, assim como auxiliam os médicos a partir de classificações, como por exemplo: de baixo risco, alto risco. No final quase totalidade dos pacientes alcançam o objetivo da boa saúde e se não alcançam permanecem constantemente em avaliação com o único propósito: a cura. Da mesma forma deve acontecer no ambiente escolar, sendo o propósito a aprendizagem.
O que os especialistas querem dizer é que numa concepção de avaliação formativa o objetivo não é classificar. Isso é verdade. Objetiva-se com uma avaliação a aprendizagem. Se realizamos classificações para melhor organizarmos nosso trabalho docente em prol da aprendizagem, não há porque se preocupar.
Quando especialistas dizem que atualmente avalia-se para dar notas, eles querem dizer, por exemplo, que quando aplicamos uma prova, ao invés de estarmos preocupados em diagnosticar como está a aprendizagem do nosso aluno para uma possível intervenção, acabamos nos engessando na atribuição de notas para fechamento de bimestres. E isso é verdade! Queremos resultados bons nas provas feitas pelos nossos estudantes, mas pouco fazemos quando esses resultados são negativos — embora reconheça que há professores que trabalham arduamente para alcançar patamares positivos de uma boa educação. No máximo, uma prova de recuperação e ainda sim sem ter tido aulas extras, é aplicada. Ou seja, aplicamos nossos instrumentos, nos queixamos dos maus resultados, mas no final nos contentamos em apenas registrar notas e resultados em nossos diários.
Resumindo então, os especialistas em educação não querem dizer que precisamos nos abdicar das notas, mas que não devemos tomá-las como objetivo do ensino e sim como um parâmetro para melhor planejarmos e intervirmos na aprendizagem dos alunos para que todos alcancem êxito.
A nota é apenas um parâmetro e não um objetivo. Da mesma forma como um médico quando examina seu paciente lhe diz que este está com 34° de febre e que deverá tomar medicamentos e realizar outros exames para uma melhor avaliação do quadro clínico. Aferir o grau de febre é apenas uma ação para constatar um possível problema de saúde e adotar providências para alcançar o objetivo da cura do paciente. Da mesma forma devemos ser na escola. As notas devem propiciar que tomemos atitudes quando necessário para alcançarmos nosso objetivo que é a aprendizagem.
Vejamos um exemplo prático: as notas de uma determinada turma foram fechadas e até repassadas para a secretaria. O professor percebe ao longe um aluno dessa turma conversando com outros colegas sobre o assunto de uma das provas que acabara mal. O aluno sabia muita coisa da prova. Se saiu mal porque estava nervoso. Tão logo percebe a possibilidade do estudante ter aprendido, o professor o chama para um bate-papo e reconhece que o mesmo dominava a matéria. O que o professor faz? Procura a secretaria da escola e pede para que alterem a nota do aluno por reconhecer sua sabedoria, sem nem mesmo fazer outra prova, pois o bate-papo fora suficiente.
Percebam que um médico, caso reprovasse seu paciente em relação a sua saúde, detectando uma única possibilidade de cura do mesmo, não hesitaria em tratá-lo . Da mesma forma, nós professores devemos agir. Quando percebermos uma única possibilidade dos nossos alunos aprenderem ou de terem aprendido devemos reformular nossos pareceres e intervir. E aí nem secretaria, nem diretor, poderá barrar essa atitude, pois todos temos um mesmo interesse: a cura. Ou melhor dizendo: a aprendizagem.

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